
"De que me vale ser filho da santa, melhor seria ser filho da outra, outra realidade menos morta taNta mentira tanta força bruta..."
"Eu sei como pisar no coração de uma mulher, ja fui mulher eu sei, ja fui mulher eu sei..."
Ser homem, ser individuo, ser todo e inteiro, forte, astuto, viril, macho, HOMEM.
Homem não chora, meninos não choram.
Não sentem, não sensibilizam, não amam, não sofrem, não sentem dor.
Que mentira criaram, que bobagem falam, inserem, marcam, a ferro e fogo o corpo do homem. Tanto preconceito, máscaras e fantasias nos colocam, nos oprimem, nos retalham, nos diminuem se saímos do padrão. E se saimos do padrão entramos em outro, o padrão do errado do diferente que agride, ofende e balança as estruturas firmes da sociedade machista.
Não quero ser O HOMEM, sou A HOMEM, fora dos padrões, das regras e das normas, nas quais posso chorar sim, chorar com o filme de amor, cheirar a flor em seu desabrochar, me sensibilizar com falas impetuosas que me tiram do eixo, dançar livre ao som do silêncio, sentir meus quadris e poder dizer eu te amo.
Talvez assim, sem precisar rotular, sendo O ou A homem, serei apenas eu.
